Evelyn,
Talvez eu tenha mentido para você, e por isso eu deveria me desculpar.
Como quando você me perguntou se estava tudo bem, e eu respondia que sim. Não, não está tudo bem.
Como quando você me perguntou se eu pretendia sumir de novo, e eu disse que não. Sim, eu acho que isso passou pela minha cabeça tanto nos últimos dias que já é quase uma idéia inabandonável.
E você me pergunta o que acontece... Eu não sei. Eu tenho algumas idéias, no entanto. Desde as dores que me escapam à boca a ânsia e o tossir seco, até a alma que se sente deslocada nessa cidade. Até meus pulmões que já trabalham por inércia e o coração que bate desacreditado. Me sinto um moribundo. Um imbecil caído no chão, em lugar nenhum, apenas esperando o derradeiro momento em que Ela viria me ceifar a alma. Mas tão decrépita alma, nem Morte nem Diabo nenhum quer. Nem deus nenhum. Anjo expulso dos céus e rejeitado pelo inferno, destinado a vagar pelo limbo até o dia do julgamento, quando seria também ignorado. Esquecido, jogado no vazio...
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