quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Carta 031

Evelyn...

   Eu estou cansado.
   Eu acordo manco. Eu caminho com meus joelhos falhando.
   Minha gastrite me saúda todo dia, cada vez de forma mais veemente e, por vezes, eu me pego cessando uma caminhada devida às dores em meu estômago.
   E tem mais as dores que os médicos não souberam explicar.
   E eu ando nervoso. Estressado. Solitário. Triste.
   E em demasia. Tudo isso em demasia. E eu simplesmente não sei lidar com tudo isso, e é por isso que eu tento medicar os sintomas do único jeito que eu sei.
   E que venham as lutas, o sangue pintando as paredes, as mãos cortadas, os ossos trincados...
   E que venham os entorpecentes, de venda controlada ou proibida. Troco toda minha seda por um bom punhado de ópio. Troco minha consciência por um bom punhado de algo pior ainda que o ópio.
   Que venha o álcool, castigando o fígado e apaziguando a alma. Que venha tudo isso que me faz mal, e que por me fazer mal, me faz bem. Autodestruição do corpo para a gênese de uma nova alma. Sacrifício em nome de nada, nem ninguém...
   Inversão dos números. Que meu sangue se torne ácido e termine por corroer meu corpo.
   Eu já não ligo mais, Evelyn.
   Porque aqui dentro, tem muita coisa errada, muita coisa fora do lugar....

   ...E talvez eu precise de ajuda mesmo, Evelyn...

L.

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