sábado, 12 de janeiro de 2013

Carta 028

De joelhos, me prostro perante deus algum;
Atrás de mim e acima de mim, o vazio.
À frente, abaixo, o vazio.
E dentro de mim, o vazio.

Minha fronte sangra. Meus olhos não enxergam.
O vazio fora de foco não me diz nada.
E o nada me diz muito.
E muito nunca é o suficiente.

Meu peito não respira. Meu coração não bate.
Meu espírito é impávido.
Meu espírito é imbatível.
Uma inabalável muralha de desilusões.

Minhas roupas são o vento.
Meus sentimentos são como o vento.
Nu, cego e frio, eu sou como o vento.
Mudo e implacável, eu sou tempestade.

Imóvel, eu sou rocha inquebrável.
Perpétuo, sou um monólito solitário.
Minhas mãos são a terra,
Minh'alma, barro.

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