Fazem algumas poucas horas que saí da ala de pronto-atendimento médico. Passei os últimos dois ou três dias à base de soro, deitado e em estado de semi-consciência. Nem morto, nem vivo. É o tipo de coisa que acontece quando você une gastrite, álcool, alguns remédios além do esperado e uma eventual intoxicação. Meu humor está pior que o de costume, como é de se esperar de alguém enfermo. Vou passar os próximos dias restringindo minha alimentação a uma porção de pratos insossos e uma quantidade ridícula de remédios para tentar controlar os sintomas de uma "doença" cuja cura inexiste...
...O que me faz escrever esta carta no entanto é o fato de que, enquanto eu jazia em meu leito hospitalar, em meio a um possível delírio, eu vi seu rosto. Eu ouvi sua voz ecoar, distante...
...Era você mesmo, ou era um meio patético ao qual minha cabeça se submeteu para tentar desviar-me a atenção do ácido que me escalava as entranhas, ou era apenas fruto dos vários químicos que me foram administrados enquanto eu me encontrava em estado de semi-paralisia, contendo a ânsia que escapava-me à boca?
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