"Não vês que me foge a alma e que me enjeita, buscando num só riso da tua boca, nos teus olhos azuis, mansa colheita?"
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Carta 002
Às vezes sinto-me compelido a sair. Juntar uns poucos pertences, juntar um punhado de dinheiro - o necessário para subsistência apenas - e desdobrar-me para fora não só de meu lar ou de minha cidade, mas dessa vida. Não respirar apenas novos ares e ver novas paisagens apenas, mas de respirar e ver como vêem os recém nascidos. Sentir a luminosidade cegando meus olhos que jamais enxergaram, sentir meus pulmões se expandindo dolorosamente com o ar frio de julho, desesperados tentando tragar uma porção de oxigênio pela primeira vez na vida, como se fosse essa a última vez na vida. Sentir o vento cortar-me a carne como cortam a carne as reluzentes facas de um açougue.
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