Faz mais de uma semana que peregrino perdido.
Mais de uma semana que caminho sem saber para onde.
Outro dia, outra cidade.
Vivo de caronas. Meu alimento é a luz do sol. Meu teto, se não o teto empoeirado e sujo da carroceria de um caminhão velho ou o teto sujo e caindo aos pedaços de um celeiro abandonado, é o teto limpo e estrelado da noite. Meus pés são minhas solas de sapato já gastas ou os pneus de borracha sobre o asfalto quente de algum viajante perdido.
Levo comigo só o essencial: um caderno para lhe escrever. Uma mochila com o pouco de roupas que consegui reunir. Minha mente confusa. Meu olhar perdido. Minha alma condenada.
Por mais que, por vezes, meu corpo pareça estar à beira de um colapso, minha alma cada vez mais se fortalece. Cada vez que minhas pernas falham e eu vou ao chão sob o sol escaldante que divide a fronteira de dois estados, sinto minha alma engrandecendo. Sinto que estou moldando meu espírito às custas de meu próprio corpo. Um Davi feito de sangue e suor. Vênus de Milo feita de dor e sacrifício. Minha Magnum Opus é minha jornada em busca de mim mesmo, rumo a lugar nenhum.
E eu não temo o frio da noite.
Eu não temo o calor que castiga, nem a solidão que me afoga.
Não temo a escuridão quase palpável que se deita comigo. Não temo não voltar.
Mas, só de pensar que talvez eu possa nunca mais te reencontrar, meu estômago dá um nó e meu coração pára de bater por um segundo.
Por vezes meus pés ameaçaram dar meia-volta. Por vezes, eu receei continuar.
Não que eu não pretenda voltar. Mas ainda não é hora...
E, se por acaso, minha jornada lhe preocupa, lembre-se: eu jamais ando só. Pois se em minha mente impávida eu caminho solitário em busca de mim mesmo, em meu coração eu trago sempre seus beijos e abraços.
Não importa aonde eu vá, Evelyn, um pedaço seu sempre estará comigo.
E, se de noite ao se deitar você sentir alguma centeia de melancolia ou de tristeza, tenha certeza: é um pedaço de mim mesmo que tu carregas dentro de ti...
L.
Nenhum comentário:
Postar um comentário