terça-feira, 14 de maio de 2013

Carta 037

Minha querida Evelyn,

Eu estou deixando esta casa, com a consciência leve e o futuro incerto, e a porta, não sei se a estou deixando aberta ou fechada.
Meu peito respira pesado. Minha gastrite me devora de dentro pra fora. Minhas costas doem.
E eu só consigo pensar em você. Você, do outro lado do sonho. Você, a quilômetros de distância. Você, que há pouco estava aqui, comigo, e hoje é substituída pelo denso ar da capital...
É sempre assim quando me despeço de você. Só saudade. Eu contando nos dedos os dias para te rever.
Rever seus olhos profundos que me confortam. Seu perfume que, de noite, preenche o quarto. Sua pele alva. Seu sorriso. Seu toque...
Evelyn, eu vou, e eu não sei pra onde nem por quanto tempo.
No que dependesse de mim, eu subiria na primeira locomotiva e iria de encontro a você. Ficaria no hotel mais próximo da sua casa para poder te ver todo dia. Acamparia à janela do teu quarto para de noite sentir o teu perfume. Acordaria mais cedo que você para te ver despertar.
Invejo seus sonhos, que podem ter você toda noite.
Invejo o espelho que está na sua cabeceira, pois pode te ver todo dia.
Evelyn, esse vazio que me preenche o peito não existe quando estou com você.
Evelyn... Meu peito respira com dificuldade.
Minha gastrite me devora de dentro pra fora.
Minhas mãos tremem... Eu não estou bem...
E tudo que eu queria agora era poder te segurar em meus braços...


L.

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