Eu sou a dor de todos os homens,
E a angústia de todas as mães
Cujos filhos atravessaram o Bojador para nunca mais.
Sou eu a demência que assombra Edgar,
E também o doente prazer sádico
Do corvo sobre o busto de Minerva, d'onde jamais sairá.
Eu sou a ingenuidade do homem iludido,
Traído pelo suposto amigo: O rei,
Cuja indiferença sou também eu, coroado sobre o trono de Pasárgada.
Sou a melancolia crônica que se despede de seus sonhos,
Que exalta suas dores e agradece às murchas flores
Sobre meu túmulo vazio - descansais em paz.
Toco minha última serenata n'uma flauta vértebra,
E, sozinho nos salões da memória - Diabos!
Não sou Maiakóvski ou Pessoa, sou a escória; Indesculpavemente sujo!
Sou infame, sou covarde, sou vil e errôneo;
Sou um poema em linha curva; Versos feitos de fel.
Sou um Orfeu sem Eurídice, sou Caim sem Abel. Sou sem propósito.
Lenore, eu sou perdido. Sem razão.
Lolita, eu vago só. Sem perdão.
Evelyn, eu me arrasto agora, na escuridão.
Louco, louco, louco! Foi o que me disseram quando disse que te amei.
Mas naveguei as águas puras dos teus olhos
E, com versos tão antigos, eu, sem querer, te afoguei...
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