Às vezes, penso que eu deveria mergulhar e nadar até o fundo do Oceano.
Enfim ver o que há lá embaixo. Ver quem canta as canções que eu ouço durante meu sono.
Ver de perto as formas dos peixes que, ao entardecer, voam por sobre meu barco deixando atrás de si uma estrada dourada de luz refletida n'água.
Enxergar as milhares de águas vivas que de noite iluminam o mundo de cabeça para baixo.
Pôr à prova todas as estórias que os pescadores outrora me contaram sobre baleias maiores que uma ilha, leviatãs e outros demônios que habitam as águas.
Sentiria o calor saindo do meu corpo, assim como minha consciência, diluindo-se nas frias águas que me abraçariam. Beberia todo o sal do Oceano, fruto das lágrimas surdas de todos os mamíferos que foram condenados a vagar eternamente sob o limiar do horizonte, e de todas as sereias que, mortas de tristeza, tornaram-se espuma na rebentação.
E lá eu me deitaria. Meu leito no leito d'Oceano. Nosso amor para sempre vivo nas águas de todos os mares do mundo...
-L
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