quarta-feira, 26 de março de 2014

Carta 065

Evelyn, eu espero que você receba todas essas cartas que eu entrego às águas.
Espero que as sereias mudas que me visitam durante o sono saibam onde levar essas palavras engarrafadas, pois eu mesmo não tenho certeza.
Eu mal consigo decifrar o que o vento sussurra em meu ouvido. A luz de manhã fere meus olhos e queima minha pele. A escuridão da noite enrijece meus músculos e entorpece meus sentidos. Eu não sei mais para onde estou indo.
Eu já não remo mais.
Eu mal tenho forças para continuar a lhe escrever.
Talvez o meu fim seja aqui, neste pequeno barco rumo ao nada depois do horizonte - rumo ao nada debaixo do horizonte.

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