Minhas costas doem como nunca. Minha boca está rachada, seca, e minha língua embebida no gosto ferroso do sangue há uma semana. Meus olhos mal conseguem focar o terreno à minha frente.
Minhas pernas fraquejam. Meus músculos gritam por descanso. Manco da perna direita, me apoio em um pedaço de madeira que encontrei em meio à floresta que recobre essa parte da ilha. A dor é tamanha que eu nem sinto mais minhas pedras cortando meus rins.
Por onde você saiu?
Eu já percorri todas as praias do Leste. Já mergulhei em meio aos escombros na enseada a Sudeste e já gritei seu nome até ficar rouco nos portos ao Sul. Enfrentei a paisagem do Norte, percorri o istmo, subi e desci todas as montanhas que dividem essa ilha, me perdi no meio das florestas tropicais e dos pântanos. Tateei cego todas as grutas que encontrei pelo caminho, dormi ao relento, me arrastei à luz dos vaga-lumes, mas ainda assim não encontrei um único vestígio seu.
As estalagens estão vazias. Nos vilarejos os pescadores desviaram o olhar enquanto eu passava...
Ninguém desaparece assim, Evelyn.
***
Se não lá, em alguma outra memória nossa eu irei te encontrar.
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