segunda-feira, 7 de maio de 2012

Carta 009

Evelyn, eu não creio.

    Simples assim: Eu não creio. Ateísmo destilado em ceticismo. Niilismo em sua mais pura forma. Para mim não há deus, não há diabo nem pecado. Sem espíritos, sem alma, sem karma, sem lei do retorno. Sem certo e sem errado e, sobretudo, sem verdades.
    Onde crentes vêem a mão de Deus orquestrando encontros improváveis, eu vejo uma equação caótica se resolvendo. Onde os outros vêem coincidências que devem significar alguma coisa, eu vejo coincidências apenas. Não há uma mão invisível guiando nossos caminhos, Evelyn. Não há uma força inteligente e sobrenatural que nos aproxima. Não há um plano divino para nós dois. Não há um deus que quer nos ver juntos. Oposto disso tudo, há uma poesia incontestável que é construída de forma bizarra entre nós dois. Uma espécie de (in)consciência coletiva ou alguma sorte de Efeito Borboleta que se iniciou setecentos anos atrás com o bater das asas de um pássaro perdido que hoje faz com que sempre , em algum momento, vamos convergir um pro outro. Uma probabilidade matemática que insiste em se concretizar entre eu e você.
    Entre sete bilhões de pessoas, você. Entre onze milhões de vizinhos, você. Sempre você, Evelyn. Sempre você.

L.

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