...E naquela esquina, entre a Augusta e a Meia-Noite, com um copo de cerveja em mãos, debaixo do sereno e respirando o ar frio que é de costume naquela época do ano, eu indaguei uma questão que iria me perseguir por semanas, e para a qual ainda tenho dúvidas quanto a reposta: Em um período de uma única vida, quantas vezes morremos? E, mais do que isso: Quantas vezes um homem suporta morrer no espaço de uma só vida...?
...E eu? Quantas vezes já não morri, e quantas ainda hei de morrer? Quantas vezes mais suportarei ressuscitar?
"Não vês que me foge a alma e que me enjeita, buscando num só riso da tua boca, nos teus olhos azuis, mansa colheita?"
sexta-feira, 25 de maio de 2012
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Carta 012
...Sorvi outro gole de café frio, pensando naquelas palavras que ele me dissera dias atrás: "Tantos buscam o sentido da vida, e vivem desiludidos por não o encontrarem. Eu prefiro apenas viver e não me preocupar ou me entorpecer buscando respostas para perguntas que não tem respostas."
Ele era um tolo. Um tolo prático, mas ainda assim um tolo.
E tolos são todos os outros que não enxergam que no final das contas, não há mesmo um propósito absoluto da vida - O grande propósito da vida, no final de contas, é dar algum propósito à vida.
Ele era um tolo. Um tolo prático, mas ainda assim um tolo.
E tolos são todos os outros que não enxergam que no final das contas, não há mesmo um propósito absoluto da vida - O grande propósito da vida, no final de contas, é dar algum propósito à vida.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Carta 011
Raios de sol se
perdem na neblina,
E rápido como o
entardecer
Teu reflexo
desaparece da minha retina.
Tudo bem, se é assim
que tem que ser...
terça-feira, 8 de maio de 2012
Carta 010
Eu vejo você indo embora...
Eu te vejo, de novo, de costas para mim.
Eu vejo sua silhueta diminuindo contra o sol.
Eu não vejo mais seu sorriso,
Eu não sinto mais seu cheiro,
Nem o toque de suas mãos...
Eu não ouço mais sua voz.
Minuto a minuto, passo a passo
Estamos cada vez mais longe um do outro.
É você que se distancia,
Sou eu que me esquivo,
Ou nossos caminhos, mais uma vez, se repelem?
E essa sombra a meu lado?
E essa cicatriz em meu passado?
E esse vazio em minha vida...?
Eu te vejo, de novo, de costas para mim.
Eu vejo sua silhueta diminuindo contra o sol.
Eu não vejo mais seu sorriso,
Eu não sinto mais seu cheiro,
Nem o toque de suas mãos...
Eu não ouço mais sua voz.
Minuto a minuto, passo a passo
Estamos cada vez mais longe um do outro.
É você que se distancia,
Sou eu que me esquivo,
Ou nossos caminhos, mais uma vez, se repelem?
E essa sombra a meu lado?
E essa cicatriz em meu passado?
E esse vazio em minha vida...?
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Carta 009
Evelyn, eu não creio.
Simples assim: Eu não creio. Ateísmo destilado em ceticismo. Niilismo em sua mais pura forma. Para mim não há deus, não há diabo nem pecado. Sem espíritos, sem alma, sem karma, sem lei do retorno. Sem certo e sem errado e, sobretudo, sem verdades.
Onde crentes vêem a mão de Deus orquestrando encontros improváveis, eu vejo uma equação caótica se resolvendo. Onde os outros vêem coincidências que devem significar alguma coisa, eu vejo coincidências apenas. Não há uma mão invisível guiando nossos caminhos, Evelyn. Não há uma força inteligente e sobrenatural que nos aproxima. Não há um plano divino para nós dois. Não há um deus que quer nos ver juntos. Oposto disso tudo, há uma poesia incontestável que é construída de forma bizarra entre nós dois. Uma espécie de (in)consciência coletiva ou alguma sorte de Efeito Borboleta que se iniciou setecentos anos atrás com o bater das asas de um pássaro perdido que hoje faz com que sempre , em algum momento, vamos convergir um pro outro. Uma probabilidade matemática que insiste em se concretizar entre eu e você.
Entre sete bilhões de pessoas, você. Entre onze milhões de vizinhos, você. Sempre você, Evelyn. Sempre você.
Simples assim: Eu não creio. Ateísmo destilado em ceticismo. Niilismo em sua mais pura forma. Para mim não há deus, não há diabo nem pecado. Sem espíritos, sem alma, sem karma, sem lei do retorno. Sem certo e sem errado e, sobretudo, sem verdades.
Onde crentes vêem a mão de Deus orquestrando encontros improváveis, eu vejo uma equação caótica se resolvendo. Onde os outros vêem coincidências que devem significar alguma coisa, eu vejo coincidências apenas. Não há uma mão invisível guiando nossos caminhos, Evelyn. Não há uma força inteligente e sobrenatural que nos aproxima. Não há um plano divino para nós dois. Não há um deus que quer nos ver juntos. Oposto disso tudo, há uma poesia incontestável que é construída de forma bizarra entre nós dois. Uma espécie de (in)consciência coletiva ou alguma sorte de Efeito Borboleta que se iniciou setecentos anos atrás com o bater das asas de um pássaro perdido que hoje faz com que sempre , em algum momento, vamos convergir um pro outro. Uma probabilidade matemática que insiste em se concretizar entre eu e você.
Entre sete bilhões de pessoas, você. Entre onze milhões de vizinhos, você. Sempre você, Evelyn. Sempre você.
L.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Carta 008
Como dois espectros perdidos, caminhamos juntos pela noite.
Becos, ruas e ruelas são nosso tapete vermelho
Luas e estrelas são nossa luz.
Cigarros e bebidas, nossa força motriz.
Seu nariz fura o vento como uma nau em alto-mar;
Seus passos e os meus passos marcam o cimento fresco;
Nossas sombras perdidas no silêncio do asfalto e da madrugada;
Sua pele alva, seu sorriso único, seu olhar confuso...
A um braço de distância, a um metro de distância...
Eu anseio pelo seu toque -- Eu anseio por te tocar.
A menos de um palmo de distância, menos da distância de um suspirar...
Eu espero seu toque - Eu roubo-lhe um beijo.
Becos, ruas e ruelas são nosso tapete vermelho
Luas e estrelas são nossa luz.
Cigarros e bebidas, nossa força motriz.
Seu nariz fura o vento como uma nau em alto-mar;
Seus passos e os meus passos marcam o cimento fresco;
Nossas sombras perdidas no silêncio do asfalto e da madrugada;
Sua pele alva, seu sorriso único, seu olhar confuso...
A um braço de distância, a um metro de distância...
Eu anseio pelo seu toque -- Eu anseio por te tocar.
A menos de um palmo de distância, menos da distância de um suspirar...
Eu espero seu toque - Eu roubo-lhe um beijo.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Carta 007
Minha querida Evelyn,
Dois passos são o que separam-nos um do outro.
Duas pessoas são o que nos separam um do outro.
Duas luas, dois sóis.
Dois...
Dois passos são o que separam-nos um do outro.
Duas pessoas são o que nos separam um do outro.
Duas luas, dois sóis.
Dois...
Assinar:
Comentários (Atom)