segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Carta 073

No fim da cordilheira, eu vejo o Grande Templo no horizonte.
Negro, imóvel e perpétuo no horizonte.
Solitário e frio.
Vazio e sem vida.
Um grande bloco de magma negro dividindo o céu branco acima das cinzas abaixo.

Quem caminhar até o fim da cordilheira - quem tiver a energia (ou tamanha necessidade de fuga) para completar tal peregrinação - me encontrará ao final dela:
Borobudur - construído não com rochas vulcânicas, mas com tristeza.
Borobudur - erguido não com argamassa, mas com saudade.
Borobudur - firmado não sobre a montanha, mas sobre as lembranças.
Borobudur - o Templo Maior. Solitário e frio. Vazio e sem vida. Imóvel e perpétuo no horizonte.

Sempre seu,
Leo. 

ou apenas

Seu
Borobudur.

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