terça-feira, 22 de abril de 2014

Carta 070

Aqui as árvores não respiram.
Não há vida até onde alcança a vista.
O mar é sempre parado. Não há música na rebentação. Não há ondas ao amanhecer.
Meus primeiros passos foram incertos na areia branca-acinzentada. O sol brilha fraco entre as nuvens. O céu aqui é para sempre cinza, mas nunca chove.
Senti a neve caindo sobre meus cabelos ao entardecer, apesar de não estar demasiado frio para nevar.
O que é tudo isso?
Seria essa ilha um espelho daquela outra?
Seria essa a ilha que nós criamos, mas que só agora eu consigo enxergá-la?
Evelyn, foi você quem criou isso tudo...?

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Carta 069

Pelos sete mares, Evelyn...
Pelos sete céus...

...Acordei há pouco sentindo-me ainda zonzo, ainda desidratado, ainda moribundo.
Demorei alguns minutos para assimilar o que estava acontecendo: porque o mal-estar que eu sentia há dias parecia amenizar-se. Finalmente cheguei a algum lugar. Saltei do pequeno barco de um salto e, enfim, pisei em terra firme.
Receio, no entanto, estar mais perdido do que nunca. Não estou nos portos ao sul da ilha. Não estou no continente. Não estou próximo dos mercados da Indochina, nem nos portos de Lisboa. Demorei para me habituar a essa nova realidade. Aqui neva. Aqui não venta. Aqui, o tempo parece congelado...
Onde eu estou, me pergunto...?
Eu criei isso? Nós criamos isso? Seria essa a nossa ilha...?

- Leo