Há dois anos eu te enviei a primeira carta, Evelyn, incerto.
Sem você estar de fato aqui, eu falava com você.
E aí você apareceu. E depois você partiu.
E essa cadeia de eventos, onde você se materializava à minha frente e no instante seguinte não mais existia se repetiu algumas vezes. E eu te perdia, e eu perdia o ar.
E um dia, você não voltou.
E eu esperei.
E eu esperei.
E eu esperei.
E você não voltou.
E hoje, depois de dois anos, depois de dois longos anos, eu recebi uma carta sua.
Apenas isso. Apenas agora.
E por quê? O serviço do correio demorou a lhe entregar o envelope? A maré fez a garrafa se atrasar? Ou o pombo responsável por entregá-la se perdeu no meio do caminho?
...Ou você se esqueceu esse tempo todo?
Caríssimo L.,
ResponderExcluirjá se foram dois anos. Dois anos em que tento falar e não consigo. Talvez por faltas de palavras, ou talvez por falta de ar.
Eu quero deixar claro que não foi só você que esperou. Eu também esperei. Somente ler isso era como não ter você aqui, funcionavam como memórias póstumas, uma lembrança de algo que eu jamais teria de novo
Já pensou que talvez tivesse mandado essas cartas, e mesmo que sabendo onde eu estava não quis me encontrar? Seja na esquina, ou dentro de você, eu sempre estive por aqui. Você não quis me encontrar, e eu respeitei isso.
Espero que nesse novo ano que começa, você posso encontrar o seu caminho, e talvez eu consiga seguir o meu.
E.
Esquece isso, A Evelyn não te ama. Agora é verão, curtição, daqui a pouco carnaval...a evelyn que se dane, pode ficar mais dois, te, dez anos sozinha, quem se importa?nem ela...
ResponderExcluirabs