domingo, 8 de setembro de 2013

Carta 054

Evelyn,

A cada dia que passa, eu me canso mais.
A ausência de tudo me preenche.
A sua ausência me incomoda.
E eu tento preencher esse vazio todo com álcool, na esperança de que o cigarro que eu vá fumar depois me incinere.
Eu tento preencher esse vazio todo com fumaça, na esperança doentia de que meus pulmões não mais consigam filtrar o ar que eu respiro.
Eu tento preencher esse vazio fugindo da cidade, na esperança de que uma dessas viagens seja minha última.
Eu tento preencher esse vazio correndo a mais de 180 quilômetros por hora. Na esperança de encontrar uma curva fechada demais.
Eu tento preencher esse vazio com alcaloides, na esperança de uma overdose eventual.
Eu tento preencher esse vazio fugindo da realidade.
E eu tento curar esse vazio encurtando cada vez mais minha vida.

L.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Carta 053

Evelyn,

Essa distância toda ainda vai me matar.
Essa distância que aumenta à velocidade de treze mil nós vai me fazer enlouquecer.
Essa distância entre eu e você ainda me matará de saudades e tristeza.
Essa distância entre nossos corpos ainda vai me matar de ansiedade.
Essa distância entre você e suas emoções ao me negar ainda vão me matar afogado em minhas próprias lágrimas. Ou em meu próprio sangue.
Essa distância, que agora parece impossível de se diminuir, entre a realidade e a fantasia, ainda vai me matar de desilusão e decepção.
Sua ausência ainda vai me matar.
A ausência de sentimentos em você ainda vai me fazer enlouquecer.
Essa loucura toda ainda vai me fazer me matar, de forma lenta ou prolongada, em médio ou curto prazo, direta ou indiretamente...