sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Carta 057

Estou me afogando.
Agito meus braços, batendo-os contra a água escura e fria. Em vão.
Tateio com os pés cegos, buscando algo em que me apoiar. Em vão.
Ergo meu queixo. Tento tragar um pouco de ar enquanto meus pulmões se enchem de porções de água congelante.
O mar está cada vez mais forte.
Tento nadar contra a maré, mas as ondas me arrastam para baixo.
Tento gritar por socorro, mas o Oceano me invade a boca.
Tento pensar, mas a morte iminente me confunde e me cega.

Estou me afogando.
Imóvel agora, o frio me congela.
Cego, surdo e mudo, agora me resta apenas esperar.
Como uma chama perdida no escuro do Oceano, eu lentamente afundo.
Como um marinheiro naufragado, as sereias da maré me tragam ao fundo.
Eu ergo meu braço para fora do limiar do mar.
Mudo, eu falo seu nome mais uma vez.
Cego, eu vejo seu rosto mais uma vez.

...Evelyn, eu preciso de ajuda.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Carta 056

Dos teus beijos
                         o mel
Faz todo liquor do mundo
                         parecer fel.

E a luz que cinge no teu olhar
                  Faz toda a primavera
                                   Desabrochar.

E o calor que de sua pele emana
                  Faz queimar de frio
                                  A mais ardente chama.

E dos meus amores,
                              é e sempre será você
Aquela que tingirá meus sonhos
                              com as mais belas cores.

E em teus beijos, em teu perfume,
                Em teus braços e em tuas cores
Eu espero me deitar para sempre
                Coberto pelas mais tenras flores.