Estou me afogando.
Agito meus braços, batendo-os contra a água escura e fria. Em vão.
Tateio com os pés cegos, buscando algo em que me apoiar. Em vão.
Ergo meu queixo. Tento tragar um pouco de ar enquanto meus pulmões se enchem de porções de água congelante.
O mar está cada vez mais forte.
Tento nadar contra a maré, mas as ondas me arrastam para baixo.
Tento gritar por socorro, mas o Oceano me invade a boca.
Tento pensar, mas a morte iminente me confunde e me cega.
Estou me afogando.
Imóvel agora, o frio me congela.
Cego, surdo e mudo, agora me resta apenas esperar.
Como uma chama perdida no escuro do Oceano, eu lentamente afundo.
Como um marinheiro naufragado, as sereias da maré me tragam ao fundo.
Eu ergo meu braço para fora do limiar do mar.
Mudo, eu falo seu nome mais uma vez.
Cego, eu vejo seu rosto mais uma vez.
...Evelyn, eu preciso de ajuda.
"Não vês que me foge a alma e que me enjeita, buscando num só riso da tua boca, nos teus olhos azuis, mansa colheita?"
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Carta 056
Dos teus beijos
o mel
Faz todo liquor do mundo
parecer fel.
E a luz que cinge no teu olhar
Faz toda a primavera
Desabrochar.
E o calor que de sua pele emana
Faz queimar de frio
A mais ardente chama.
E dos meus amores,
é e sempre será você
Aquela que tingirá meus sonhos
com as mais belas cores.
E em teus beijos, em teu perfume,
Em teus braços e em tuas cores
Eu espero me deitar para sempre
Coberto pelas mais tenras flores.
o mel
Faz todo liquor do mundo
parecer fel.
E a luz que cinge no teu olhar
Faz toda a primavera
Desabrochar.
E o calor que de sua pele emana
Faz queimar de frio
A mais ardente chama.
E dos meus amores,
é e sempre será você
Aquela que tingirá meus sonhos
com as mais belas cores.
E em teus beijos, em teu perfume,
Em teus braços e em tuas cores
Eu espero me deitar para sempre
Coberto pelas mais tenras flores.
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