Para além de qualquer coisa...
...Quanto tempo ainda há?
I
É clichê, eu sei, me perguntar até quando firmarei meus passos sobre essa terra. Ou até quando você vai firmar os teus.
É clichê, mas faz-se necessário hoje.
Há três dias, estou a mais um ano vivo. Existo por mais um ano. Um ano mais velho. Um ano a menos para me preocupar...
Pergunto-me o que mais cabe à situação: se "meus parabéns" ou "meus pêsames".
Em tempos de Cruzadas e peste e praga, clausuras, catedrais românicas e invasões bárbaras, certamente um parabéns viria a caber. Mas hoje...? Não temos uma grande guerra, não temos uma grande praga. Não corremos riscos diários explícitos, não temos nossa vida ameaçada em tempo integral. Temos rotina, temos marasmo. Temos pelo que viver?
II
E, por sete infernos, a verdade é uma apenas: O mundo não é justo. Tampouco injusto. Ele apenas é.
Coisas boas acontecem a pessoas más e a pessoas boas, assim como coisas ruins acontecem com pessoas más e pessoas boas. Estamos todos jogados ao acaso. O carma é nosso ópio... A promessa de que o que fazemos, será devolvido. Egoísmo disfarçado de altruísmo.
O que faço, faço por que quero, não por esperar que um dia minhas ações ordenem o caos de forma favorável a mim mesmo.
É por isso que algumas pessoas partem cedo da vida, e algumas demoram-se a partir. Caos. É por isso que me pergunto aqui quanto tempo tenho ainda, e se tenho pelo que aqui continuar. Pelo que vale a pena viver, se fazer o bem ou o mal em nada incorre no fim das contas?
III
Vive-se uma vez apenas. Sendo assim, para que fingir que levaremos daqui algo? Riquezas, poder, status... Meus vícios são outros. Luxúria, prazer, auto destruição. Para além de qualquer coisa, o que vale: Não o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.
Nossa vida acaba minuto a minuto. Um cigarro aceso nos lábios de deus. E a cada vez que ele bate as cinzas, sentimos o peso do tempo nas nossas costas.
Não há nenhum bom motivo para fazer isso ou aquilo. Mas devemos fazer algo.
Nossa obrigação é achar algo pelo qual viver. Nossa obrigação é dar sentido a nossa efêmera existência.
Pode dar tudo certo, ou tudo errado.
Podemos estar aqui amanhã, ou não.
Então vem, senta aqui ao meu lado e deixa o mundo girar. Jamais seremos tão jovens...